Um mundo de Terras lendárias!
Apresentando o Mundo de Aquilon!
O Mundo de Aquilon(Le Monde d'Aquilon) é uma coleção de séries de BDs(bandes dessinées) francesas conceituais criadas por Jean-Luc Istin e publicadas desde 2013 pela Soleil Productions. Contando com mais de 150 volumes com 60 páginas cada em média. As BDs começaram a ser traduzidas no Brasil do original em francês, pelo grupo de traduções de HQs sem fins lucrativos, Ndrangheta HQs e posteriormente nós do Aquilon Quadrinhos, entramos nessa parceria com nossos estimados irmãos de armas.
O mapa original das Terras de Arran teve origem em um esboço inicial de Olivier Peru e foi finalizado por Gaelle Merlini. Estas terras são particularmente marcadas pela cultura élfica, principalmente porque seu nome é uma referência direta ao deus élfico Arran.
Confira a seguir a história base para a lore de todo o Universo do Mundo de Aquilon!
O Mito da Criação
Aquilon é um planeta terrestre nascido nas profundezas do cosmos há bilhões de anos. Um mundo de mitos e magia, coberto por oceanos, diz-se ser obra de um titã homônimo. Uma infinidade de lendas cerca sua origem. Algumas dessas histórias, entre as mais antigas, sugerem que o titã Aquilon criou este mundo como um presente para seus filhos e filhas mais dignos. Assim, diz-se que ilhas e continentes emergiram das ondas, moldados por deuses como Arran, Ogon e a deusa Ynuma. Para homenageá-los, as primeiras tribos imortais nomearam essas terras em homenagem a essas divindades.
Em seus primórdios, o Mundo de Aquilon era bem diferente do que é hoje.
Sua topografia era muito distinta, os vulcões eram mais ativos e erupções frequentes liberavam nuvens escarlates que devastavam territórios inteiros. Algumas terras foram engolidas pelo mar, enquanto outras emergiram. Os animais eram monstruosos; répteis imensos vagavam pelos continentes. Existiam em todos os tamanhos e formas. E enquanto alguns se alimentavam principalmente de grama e folhas, outros eram predadores formidáveis, caçando sozinhos ou em bandos. Circulam rumores de que ainda existe um lugar ao sul das Terras de Ogon onde algumas dessas criaturas sobreviveram.
A Contagem das Eras
A Era dos Dragões
Os dragões eram uma vasta legião, ao contrário dos pequenos lagartos domesticados pelos humanos hoje, chamados de Criaturas Voadoras.
Os Dragões eram seres imensos, inteligentes e majestosos. Por milênios, permaneceram a espécie dominante. Ninguém sabe quanto tempo durou esse período, que ficou conhecido como a Era dos Dragões. Essa era terminou com uma série de catástrofes que mergulharam o mundo no caos e dizimaram a maior parte dos grandes saurianos.
A Era das Pragas
Seguiu-se então a Era das Pragas, e seres titânicos emergiram, varrendo as terras de Arran. As raças emergentes os viam como deuses destrutivos. Ninguém sabe como eles vieram à vida. Filhos da água, da terra, do ar, da noite e das estrelas, provavelmente chegaram com as primeiras tempestades que fertilizaram o mundo. Nascidos da lama primordial, carregavam dentro de si um poder incomparável, o poder da magia primordial.

Contos que antecedem os primeiros registros escritos narram como os mais fortes devoravam os mais fracos para tomar seu poder e território. As primeiras raças imortais, como Elfos e Dragões, ainda eram criaturas primitivas, e para elas, apenas a sobrevivência importava. Esses monstros, tão altos quanto montanhas, lutaram até que um pequeno grupo deles dividiu o mundo entre si. Então, o tempo embotou seus instintos primordiais e eles descobriram o tédio. Eventualmente, adormeceram e, ao longo dos séculos, seus corpos se fundiram à paisagem, deixando a terra com as cicatrizes de suas batalhas passadas.
A Era das Lendas
Isso marcou o alvorecer de uma nova era, conhecida como a Era das Lendas. As raças imortais foram as primeiras a criar uma aparência de civilização. Foram lentas em evoluir, mas não lhes faltou tempo, nem perspicácia. Sua afinidade natural com a magia também lhes conferiu uma vantagem considerável sobre as outras raças. Essas vantagens permitiram que criassem as primeiras cidades, em harmonia com a natureza. Os Anões ficariam indignados ao ouvir isso, pois, segundo eles, haviam criado cidades dentro das próprias montanhas, a salvo de predadores, muito antes dos imortais. É verdade que está na própria natureza dos filhos de Yjdad serem contrários. Mesmo que isso signifique reescrever a história, eles jamais aceitarão ser relegados a um segundo plano, especialmente virem depois dos Elwës, como os chamam em seu jargão de sotaque pétreo.
Foi uma época abençoada; nada podia saciar a sede de conhecimento dessas civilizações nascentes.
Sem ter mais com que se preocuparem além de sua sobrevivência, os povos ergueram cidades com torres que desafiavam os céus. Agora tinham a eternidade para construir, inventar, explorar as diferentes facetas da magia e até mesmo percorrer o vasto Mundo de Aquilon…
Os Anões por sua vez, se espalharam por quase todas as regiões, levando conhecimento a algumas raças agora extintas, criando cidades, fortalezas e rotas comerciais. Nessa era, alianças eram forjadas e desfeitas conforme os caprichos do tempo e as crescentes inimizades. Seria muito extenso relatar todos os eventos significativos que se desenrolaram durante esse incrível período da história. No entanto, alguns fatos importantes merecem menção, como as primeiras guerras territoriais, frequentemente instigadas pelos Anões e sua feroz determinação em reivindicar cada pedaço de terra que exploravam. Elfos e Anões podiam ser grandes aliados ou adversários ferozes, num ciclo constante.
Conflitos se irromperam entre os povos, e algumas mágoas persistiram através dos tempos.
Os confrontos se multiplicaram, tanto contra as legiões de peles-verdes(Orcs & Goblins) quanto contra raças agora extintas. Este período da história de Aquilon chamado de Era das Lendas, pois certos eventos daqueles tempos remotos, que agora fazem parte das grandes sagas que ainda moldam o presente e servem de base para a maioria das religiões modernas. Os relatos tendem a confirmar que os próprios deuses podem ter caminhado por essas terras durante tal era.
Incomumente, a Era das Lendas terminou com o que foi, sem dúvida, o pior conflito da história. Os Elfos carregaram a principal responsabilidade. No final dessa era dourada, diversas civilizações coexistiam com diferentes graus de harmonia. A maioria havia alcançado conhecimento incomparável em construção, guerra, controle ambiental e magia. Um conflito irrompeu entre os maiores magos e uma raça amaldiçoada, agora extinta. Os portões de Hej se abriram e a escuridão invadiu aquela dimensão. Magos com poderes terríveis foram arrastados para batalhas cataclísmicas. A luta foi tão brutal que rasgou o próprio tecido do espaço tempo do Mundo de Aquilon, incendiando florestas, desencadeando tornados, tsunamis, erupções vulcânicas e chuva ácida… O abuso da magia em seu limite absoluto quase aniquilou tudo.
O caos se espalhou, densas nuvens escureceram as terras já devastadas pela guerra. Demônios poderosos agora vagavam por aquela dimensão. Isso trouxe um fim sombrio à Era das Lendas. Alguns acreditam que foi nessa época que o mundo se dividiu em dois e que, desde então, um vasto abismo marcou a superfície de Aquilon. Mas as histórias sobre sua origem se perderam nas brumas do tempo. Teria sido um deus que outrora separou as terras de Arran das terras de Ogon para pôr fim à guerra ou proteger sua criação? Ou seria o resultado deste conflito devastador, instigado pelos magos mais poderosos que este mundo já conheceu?
Seja qual for a sua verdadeira causa, um abismo intransponível agora divide os continentes, que estão conectados apenas por uma única e minúscula faixa de terra, ferozmente guardada pelos Anões da Ordem do Talion.
Quanto às terras distantes de Ynuma, elas ainda sofrem as consequências dessa guerra desastrosa. O Véu, essa fronteira diáfana que separa o mundo material do mundo dos espíritos, está irremediavelmente enfraquecido, e são os monges Dobushi que vivem na ilha montanhosa de Kamitsu que carregam a pesada responsabilidade de garantir que a situação não piore.

Após o obscurantismo veio a luz. Novas civilizações, particularmente as humanas, emergiram.
Mesmo assim, os Homens consideravam Elfos e Dragões como semideuses. Os Anões, por sua vez, tentaram manter-se afastados do conflito, refugiando-se em suas fortalezas subterrâneas. Como todos os seres que viveram naquela era terrível, pagaram um preço alto. Contudo, foram os primeiros a emergir do caos e, quando o tempo finalmente se acalmou, emergiram mais uma vez de suas montanhas com a intenção de reconstruir seu império destruído. Mas antes disso, as feridas infligidas ao mundo precisavam ser curadas. Os Elfos levaram séculos para restaurar as vastas planícies, colinas e florestas à sua antiga glória, agora usando magia deliberadamente reduzida para não repetir os erros do passado.
Os Anões, ainda guiados por um imperador da linhagem Yjdad, usaram seu conhecimento do submundo e sua sabedoria rúnica incomparável para remodelar certos territórios. Todos os continentes são atravessados por linhas de energia que se cruzam, se fundem ou se repelem. Essas são as correntes telúricas. Naqueles tempos, o povo anão havia aprendido a controlar essas forças para moldar as paisagens. Algumas montanhas, vales e até mesmo mares e ilhas foram criados dessa maneira…
Ainda hoje, os guardiões dos alinhamentos mantêm e restauram esses selos criados por seus ancestrais, que canalizam as correntes telúricas. Pois, se fossem rompidos, parte do mundo entraria em colapso mais uma vez, abismos se abririam, montanhas desmoronariam como areia e outras irromperiam da terra como montículos. Em alguns lugares, a terra seria engolida pelo mar ou, inversamente, recuaria até o horizonte. Uma verdadeira catástrofe! Mas os guardiões dos alinhamentos, de uma casta esotérica da Ordem do Templo, zelam pelos selos e, como eles dizem;
"Nossos ancestrais sabiam como fazer isso, e devem durar por mais alguns milênios".
Embora parte desse conhecimento ancestral para remodelar a terra tenha desaparecido há muito tempo, felizmente para esses guardiões, assim como para todos os outros habitantes, eles ainda possuem mapas raros e inestimáveis que datam daquela época ancestral. Esses pergaminhos sagrados, usando linhas e símbolos, indicam as correntes telúricas que fluem pelo mundo. Sem essa informação, seria impossível encontrar os locais onde os selos estão escondidos. É inevitável pensar que, mesmo que, naquela época, tenham agido em benefício próprio, os anões aproveitaram a situação para se apoderar de novos territórios extremamente promissores, o que mais tarde gerou tensão e ciúme.
A Era do Grande Cisma
Essa era, que começou em meio ao caos, é chamada de Era do Grande Cisma, porque foi durante esse período da história que elfos e anões das terras de Arran passaram por eventos que mudaram irreversivelmente a própria natureza de sua sociedade.
Alguns Elfos da Floresta acreditam que isso se deveu a uma mudança na vibração da Mãe Terra. Quando a unidade se desfez, inúmeras facções surgiram, dando origem a uma multiplicidade de etnias, como os Elfos Vermelhos que se estabeleceram em vulcões, os Elfos Azuis que fundaram cidades em harmonia com os mares e oceanos, os Elfos da Areia que domaram os desertos e os Elfos da Floresta que se refugiaram nas florestas. Os Elfos Brancos, tanto na aparência quanto no modo de vida, eram os mais próximos dos elfos originais do período anterior ao Grande Cisma. Eles ascenderam à proeminência entre os outros povos, continuando a viver em grandes cidades em contato próximo com as populações locais, até o retorno dos Flagelos.
Esta era também marca o fim do império anão com o cisma entre os filhos de Yjdad e os anões de Ufgrim, bem como a ascensão das Ordens que ainda hoje governam a vida deste povo. Durante este período, muitas civilizações em todo o mundo sofreram mudanças radicais. Uma era que culminaria com o retorno dos Flagelos, gigantes nascidos da lama primordial, portadores de um poder inigualável… O mundo os havia esquecido, até que despertaram mais uma vez e vagaram por um mundo transformado pelas raças que surgiram durante sua ausência. Esses titãs descobriram cidades mais altas que eles próprios, portos impenetráveis às marés mais fortes, estradas que marcavam as florestas e terras que lhes pertenciam… E eles se ressentiam dessas atrocidades. Destruíam construções como se fossem brinquedos e devoravam todos que tentassem lutar contra eles. Aqueles que se curvavam a seus pés sofriam o mesmo destino.

Os Flagelos, embora poucos em número, causaram uma devastação quase tão grande quanto aquela que marcou o fim das diversas eras.
Por luas a fio, aniquilaram tudo em seu caminho. As Terras de Arran, por vezes, experimentavam algumas semanas de trégua, por razões desconhecidas. Almas infelizes rezavam aos Flagelos, sacrificando animais e, às vezes, entes queridos na esperança de aplacar sua fúria. Outras tiravam a própria vida ou fugiam das cidades que ainda restavam intactas. As menores cavernas, as ilhas mais remotas, tornaram-se refúgios. O que se chamava civilização desmoronou mais uma vez. Apenas os elfos continuaram a acreditar no futuro. A luta contra os Flagelos até sua completa derrota teve um impacto profundo sobre os elfos brancos, forçando-os ao isolamento e ao esquecimento.
A Era dos Homens
Assim termina a Era do Grande Cisma com o desaparecimento das Pragas, e começa o que se chama de Era dos Homens. Pois, de todos os povos, foram os Homens que mais se beneficiaram das dissensões inerentes às civilizações antigas. A divisão, em última análise, enfraqueceuos antigos. Os povos humanos, por sua vez, proliferaram, espalhando-se como ervas daninhas por todas as regiões do mundo.
Diferentemente das terras de Ogon e Ynuma, nas terras de Arran, as repetidas falhas dos elfos em se aliarem aos humanos e em compartilharem uma visão de mundo comum os levaram a uma infinidade de conflitos. Cansados disso, os elfos os expulsaram de suas florestas, montanhas e mares...
Mas a cada geração, a humanidade só crescia, ao contrário dos imortais, cuja população declinava constantemente.
Embora os reis anões inicialmente demonstrassem respeito e bravura com a chegada dos Homens, suas ordens, lideradas pelo Talion, logo compreenderam a necessidade de inspirar medo e respeito nos recém-chegados. Os ferozes guerreiros da Ordem do Escudo não fizeram nenhuma tentativa de sutileza, esmagando qualquer ideia de conquista em seu início. Mas simultaneamente, forjaram-se alianças comerciais. Os Homens precisavam de aliados e, ainda mais, da expertise anã em arquitetura e armamento. Essa habilidosa integração dos anões à Era dos Homens foi perfeitamente orquestrada por aquela que talvez seja a organização mais poderosa de Arran: a Ordem de Talion. Eles sabiam como capitalizar em cima de cada catástrofe para expandir e enriquecer, compreendendo que, controlando as informações e os segredos deste mundo, poderiam controlar tanto seus aliados quanto seus inimigos.
Para os orcs e goblins, a chegada dos humanos também mudou tudo.
A então raça jovem dos Homens conseguiu o que os povos antigos jamais haviam alcançado, devido a antigas rivalidades: forjaram alianças com tribos orcs, estabelecendo um precedente sem igual. Embora algumas civilizações humanas ainda abominassem tais criaturas, os orcs agora podiam atravessar a maior parte das terras de Arran governadas por senhores humanos sem serem mortos à primiera vista. Logo, os peles-verdes começaram a se juntar a companhias mercenárias. Hoje, os orcs lutam por toda Arran, formando suas próprias companhias de mercenários, principalmente em nome dos humanos, o que, aliás, mantém alguns de seus guerreiros mais ferozes ocupados.
Ao longo dos séculos, a Era dos Homens culminou na situação atual e em novos eventos que ainda causam arrepios no vasto Mundo de Aquilon. Há muitos tópicos a serem abordados, como a criação, há um milênio, do Cristal Azul por um certo elfo negro chamado Ulronn, o genocídio dos Elfos Vermelhos e o saque das Ilhas Brancas… Tantas histórias ainda precisam ser descobertas e feitos a serem celebrados. As Terras de Arran, Ogon e Ynuma, esses vastos reinos imortais que compõem o fantástico Mundo de Aquilon, estão longe de terem revelados a maioria de seus segredos.
Como começar a ler O Mundo de Aquilon?
A Ordem de Leitura para o melhor entendimento dos acontecimentos do Mundo de Aquilon se dá pela ordem de lançamento das BDs. Atualmente a série possui vários títulos em continuidade que podem ser baixados aqui em nosso site já traduzidos do Francês para o Português do Brasil, clique no banner abaixo e acesse nossa Ordem de Leitura, já com os links para baixar os volumes e lê-los na sequencia correta...
Fonte: Le Monde d'Aquilon